Canindé

Ao visitar o São Francisco,

Terra do calor e sem mar,

me senti quase um menino

solto no quintal a brincar.

 

Mas, de fato, sou uma menina

que carrega no triste olhar

o sonho de encher uma bacia

e com água as roupas lavar.

 

Passa o tempo e a cantoria

e eu não aprendo a lidar

com a seca da minha terrinha,

sem mato, sem fruto e sem mar.

 

Me pedem para sentar na escada

e com paciência esperar

que a infância seja lavada,

pois meu futuro é casar.

 

Fujo para o seco milharal

e peço para Deus afirmar

qual será meu destino afinal,

pois o que eu quero é cantar

 

as músicas da minha terrinha

e ao mar um beijo longo entregar.

 

Kariane

(Para minha avó)

 

 

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