O dia em que eu descobri o bordado

Eu sempre compreendi a dimensão das palavras, sempre enxerguei a força que um conjunto de letras possui e visualizei tudo isso, especialmente, através da poesia. Tudo acontece como um soco no estômago ou como o bater de asas de uma borboleta. É doce ou machuca. As palavras têm vida. Escrevo, logo existo. Desculpa, Descartes, sou confusa mesmo.

Às vezes certos diagnósticos da vida nos sufocam o tempo inteiro (olá, ansiedade) e buscamos meios de fugir de tudo isso, correr. Corra, Kari, corra.

Por muito tempo eu desenhei, gostava de ampliar pequenos desenhos que via nas revistas em quadrinhos. Mas um dia eu parei, pelo simples fato de não achar que os desenhos eram bons o bastante. Boba, nada é bom o bastante, só é bom, e suporta.

Um dia de ócio me levou a voltar a desenhar, não sabia o porquê mas eu precisava. Mas faltava algo, sei lá, algo que talvez trouxesse mais vida? Não sei, loucura minha. Resolvi bordar. Comprei os materiais sem saber como colocar a linha na agulha e sem saber qual tecido escolher, mas fui atrás, sem saber de muita coisa, mas, confiante.

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Na foto acima podemos ver o meu primeiro bordado. Fiz vendo um vídeo aleatório no youtube, achei fácil e também gostei do que dizia. Ame-se. Como vocês podem ver, eu comprei o tecido errado. Tudo bem, depois eu concertei esse acaso.

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Depois de escrever ame-se eu queria algo que realmente gritasse o que eu sou, o meu todo. Pensei em poesia, nossa, poesia, eu sou você, às vezes. Mas eu sabia que havia algo além, um tema maior. Literatura era o que eu queria. Agora com o tecido certo!

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Mas teve um certo ciúme no ar. Sabia que o Rimbaud ia se meter em toda essa história, ele sempre está comigo, bordar seu nome e uma rosa (minha flor preferida) era o mínimo que eu poderia fazer para meu jovem terrível. Não dá para ver muito bem, mas eu comecei a rosa com um tipo de vermelho e terminei com outro, porque o primeiro acabou e a outra cor eu comprei errada. Caminhei demais por você Rimbaud, obrigada.

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Quando eu bordo me sinto mais próxima de mim, um contato com o eu que diz “faz”, eu sou o todo. Minha mãe é artesã, será genética ou pura poesia dessa vida inacabada?

Kariane

 

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4 comentários sobre “O dia em que eu descobri o bordado

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