Onde a lágrima atravessa a rua

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Florence Sène – 2018 

I

Onde a lágrima atravessa a rua

eu beijo a sua boca nua

que dobra no próximo quarteirão.

Eu me perdi. Me deixaram na avenida

cantando com várias crianças

que antes da minha chegada

gritavam pelo fim desse concreto

que separa o mar da calçada

e da barraca da Dona Flor,

onde eu compro minhas quentinhas

e algumas cartas de amor.

II

Eu desci sozinha uma avenida estranha,

carros vermelhos passaram por mim

e entregaram a falta que sinto da cor,

da saída e da pausa de um passo

que não consigo alcançar.

Será, que me permito, de fato, andar?

Kariane

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2 comentários sobre “Onde a lágrima atravessa a rua

  1. você desaparece, mas quando retorna chega com poesia com P maiúsculo. passagens brilhantes(…gritavam pelo fim desse concreto que separa o mar da calçada…) e (…carros vermelhos passaram por mim e entregaram a falta que sinto da cor…). não pare de escrever e aparece mais. um abraço carinhoso.

    Curtido por 1 pessoa

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