Ne pleure pas, ton chagrin est le mien…

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Era quase noite quando o Imaginário ao lado da porta fixava uma cabeça bem perto do seu coração. Espaço vazio seria se fosse um braço, uma perna ou um pescoço. De fato, uma cabeça era essencial ao lado do órgão que por sinal não funcionava mais. Era um coração velho e com cortes causados pelos fortes ventos do verão. Perto da bancada, onde alguns livros de história pousavam, estava mais uma cabeça que olhava o feito do Imaginário, enquanto a primeira cabeça gritava por não entender o motivo de se encontrar fora da sua casa. As duas cabeças dialogavam, mas o velho coração chorava esperando estar ao lado da pele lisa e dos cabelos que não tinham formato. O encaixe se fez. A segunda cabeça encarava o sangue que caia e por fim cessava pelo corpo do Imaginário, a cena se fez tão bonita que os olhos da primeira cabeça começaram a chorar, o coração se banhou de lágrimas e sem esperar qualquer tipo de pergunta, adormeceu. O Imaginário andou pelo seu pequeno quarto e sentou no chão próximo a segunda cabeça e a beijou, bem abaixo do queixo, onde a marca do que nunca foi dito se encontrava em vermelho. Era quase dia quando se via pela janela um rosto e um pescoço que conversavam sobre os efeitos da presença e o fardo da ausência.

Kariane

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