Metamorfose

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Sou uma borboleta. Nem me perguntem o porquê. Só nunca consegui ser gente, escolhi ter patinhas e asinhas que pesam sobre mim. Como algo delicado pode pesar tanto?

Senti que aquele dia seria um desespero, coração não aguenta o toque da sua mão, coração não entende metade disso. Abri a porta e vi uma sala escura, fria, pequena. Acender a luz é normal, mas não acendi, porque você estava ali. Te vi. Fiquei ao seu lado, mas não tranquei a porta, porque a porta era de vidro, tenho medo de objetos de vidro ou qualquer coisa que por qualquer bobagem se quebre em pedacinhos. Me importo demais. Continuava escuro, mas a luz que vinha da porta foi de encontro ao seu olho. Não olhe para mim. Coração não aguenta olhares. Percebi que seria inevitável viver ali, estava com fome e sem possibilidades. Você me dá medo, mas eu tenho medo de tudo, talvez isso seja um elogio “eu te-nho me-do de vo-cê”. Você não fala? Esperei uma palavra, uma única palavra. Você abriu a boca, tão devagar, quase contei os segundos que duraram. Fale. Me diga alguma coisa que me faça esquecer o medo de portas de vidro. Você fez algo que eu não esperava. Por que fez isso? Você tocou minha mão. Olhou entre os meus dedos, cavernas que não compreendo. Discurso. Era como o primeiro passo, a primeira palavra, a primeira queda ou a primeira metamorfose.

Kariane

 

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