Ausência

E eu me avisei por um pequeno instante, mas que vontade de escrever enquanto você vai embora. Escrever sobre o seu passo lento que não me acompanha, escrever sobre a sua visita que é sempre tão rápida (às vezes infinita) e escrever sobre a raiva de saber que mesmo o seu pensamento longe, finjo que está aqui perto. Você é mais complexo (a) que a minha filosofia, uma grande macieira. Sua mão é quente e não combina com as minhas que descascam e secam com o sol e a tristeza do acaso que é encontrar você até na rua que eu não costumo passar ou na escola que visitei durante um passeio. Pausa. Quando se tenta escrever, até a palavra “sofá” se torna um guia, mas você me procura entre as linhas e grita bem alto, ao meu lado, sobre o nada que é sem você aqui, sem você aqui, sem você aqui, sem você aqui, sem você aqui. Você chora, eu acho, às vezes penso que sim. Eu não choro enquanto não te enxergo mais, eu suspiro e peço uma água no primeiro bar e avisto as moças da rua e tento entrar em seus pensamentos, escutar suas histórias. Mas você grita, de novo, baixinho, sussurra. Eu nasci das palavras. Amplitude na minha alma. E na sua alma? Ausência.

Kariane

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