Ao Luar

lua

Quando, à noite, o Infinito se levanta

A luz do luar, pelos caminhos quedos

Minha táctil intensidade é tanta

Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!

Quebro a custódia dos sentidos tredos

E a minha mão, dona, por fim, de quanta

Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,

Todas as coisas íntimas suplanta!

Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,

Nos paroxismos da hiperestesia,

O Infinitésimo e o Indeterminado…

Transponho ousadamente o átomo rude

E, transmudado em rutilância fria,

Encho o Espaço com a minha plenitude!

Augusto dos Anjos

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7 comentários sobre “Ao Luar

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