Mãos Dadas

nono

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus

companheiros.

Estão taciturnos, mas nutrem grandes

esperanças.

Entre eles, considere a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos

afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos

dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma

história.

Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem

vista na janela.

Não distribuirei entorpecentes ou cartas de

suicida.

Não fugirei para ilhas nem serei raptado

por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo

presente, os homens presentes,

a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

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3 comentários sobre “Mãos Dadas

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